sexta-feira, 13 de março de 2020

outra ventania

A fotógrafa Sheila Oliveira legenda sua bela fotografia com um poema meu, do livro Poesia provisória.
A ventania leva versos e imagem ao mesmo coração.
Gratidão, cara amiga.

quarta-feira, 4 de março de 2020

a poesia sempre salva

"A Poesia Provisória do insigne amigo Nirton Venancio acaba de chegar em minhas mãos via Correios.
Só um presente desse naipe para dar alegria aos meus dias. A poesia sempre salva.
Uma boa amizade também.

Evoé, grande bardo!"

- Helder Mello, cantor, compositor, professor de Artes Cênicas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

através da palavra


A Poesia de Nirton Venancio de provisoriedade não tem nada. É definitiva e eterna, como é - por definição - a verdadeira e boa Poesia.

Marcada pela pós-Modernidade, como os de 22, com sua forma bem humorada de reler o cotidiano e de seus signos, mas "manchando de humano o lago" (Mário de Sá-Carneiro) dessa paisagem sobre a qual aponta seu observatório poético ("Dói / este cotidiano gesto / de ser poeta / e explorar as tardes / com seus terrenos / suas nuvens, / suas esquinas (...)".

Tanto a atemporalidade quanto o redimensionamento da linguagem regional diagnosticam uma claustrofóbica insatisfação e desejo de universalidade ("dentro de mim/cabe o universo/ e mais o vilarejo onde nasci."). Evocação dos versos de Drummond ("Tenho duas mãos/ E o sentimento do mundo"). Poeta, aliás, que surge frequentemente como sua maior influência. ("Não sei nadar / nem andar de bicicleta. // Mas sei / abraçar / caminhar ao teu lado / e escrever poemas para atravessar os dias. / Para alguma coisa servem as minhas inutilidades."). Com uma pitada de Manoel de Barros nesse verso final. Quase como um ex-libris da pretendida transitoriedade de sua Poesia.

Neste seu mundo habitado por questionamentos filosóficos e existenciais é através dela, de sua Poesia, que já deixou sua marca - a cada um o sítio arqueológico que lhe cabe - através da Palavra. Iluminada palavra que abre seus caminhos próprios.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

a casa

foto  ©Acervo Nirton Venancio

A cidade ontem era outra
foi crateús
quando volto crescido
(no expresso rápido do zé arteiro)
e procuro a asa que fui

na casa que foi:
fazer dessa casa
:os mesmos tijolos de antes

os parentes seguiram no tempo
envelheceram
e desfolharam os janeiros no quintal
a casa encolheu suas paredes
feito as rugas na pele dos avós
das tias
das costureiras

das marias
das letícias
das gicélias

:
únicas em minha infância
múltiplas em minha saudade

as paredes envelheceram no tempo
seguiram
e encolheram os janeiros no quintal
a casa desfolhou seus parentes
feito a pele nas rugas das bisavós
e outros vós
e tantos nós

tiázinha
zebinha
joão

: o corpo frágil da bisa no fundo da rede
: a mão ágil do tio no fundo da oficina
: o rosto gil do primo no fundo do espelho

fazer dessa casa
:os mesmos tijolos de ontem.

A casa
sempre foi poema.
Cada dia,
um verso
cada filho,
poeta.

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Trecho do meu próximo livro © Trem da memória - um poema, lançamento previsto para quando o carnaval passar.
Textos de apresentação:
Mailson Furtado
Valdi Ferreira Lima
mais do que prefácios, duas viagens no trem, um em cada janela.
Editora Radiadora
Coordenação editorial: Alan Mendonça
Impressão e acabamento: Expressão Gráfica

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

intimidade

O teu silêncio é íntimo.
O teu quarto,
a tua roupa pendurada no cabide,
o quadro na parede é íntimo.
Íntimo é o teu olhar,
as tuas lembranças,
a tua saudade,
as tuas cartas rasgadas
nunca mandadas são íntimas.

Uma canção gemida
nos teus lábios
é íntima como o beijo leve,
como o abraço profundo,
como o golpe da lâmina,
como o sangue jorrado.

Íntimo é o teu modo
de pentear os cabelos diante do espelho,
o cortar das unhas,
o escovar dos dentes.
O teu banheiro é íntimo,
mais íntimo é o teu sexo.

As tuas artimanhas
no ventre são íntimas.
O teu medo é íntimo,
o teu suor nas axilas,
o pulsar do teu coração,
o teu sono sobre o travesseiro.

Íntimo é a escuridão
da tampa do ataúde
quando na tua carne morta.

Íntimo é o teu depois.

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Poema de meu primeiro livro Roteiro dos pássaros, 1981, Prêmio Filgueiras Lima de Poesia, Editora e Gráfica Lourenço Filho, Fortaleza, Ceará.

O escritor amigo Carlos Emílio Correia Lima, parceiro da geração do Grupo Siriará de Literatura, sempre “me cobra” uma nova edição do livro. À época a tiragem foi de 1000 exemplares, e hoje me surpreendo quando encontro um exemplar no site Estante Virtual a preço de raridade.

Outro dia, o poeta amigo de Brasília, Domingos Pereira Netto, lembrou que em 2021 o livro fará 40 anos de publicação, e merece uma edição comemorativa.

Juntando a “cobrança” de um com a lembrança de outro, no próximo ano será lançada, pela Editora Radiadora, uma edição com tiragem limitada, revisada e com mais um prefácio.

Na edição de 1981:

Projeto gráfico, capa: Rosemberg Cariry
Prefácio: F. S. Nascimento
Epígrafe: Carlos Drummond de Andrade
Textos da contracapa: F. S. Nascimento e Arthur Eduardo Benevides
Foto: Celso Oliveira






sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

naquela estação


crateús
cratheús como na inscrição da estação de trem
cratiús como no meu coração:

batata em meu prato

o lagarto que eu não matava com a baladeira
karati, karatús, karatis
o índio de uma tribo que nunca vi
o peixe que nunca pesquei em águas que nunca nadei

o nome do lugar está em mim
como topônimo neste poema
o logradouro onde me cabe
a saudade onde me espalho
a luz de um sol em minha rua.


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- trecho inicial do meu próximo livro, © Trem da memória - um poema
Textos de apresentação:
Mailson Furtado
Valdi Ferreira Lima
mais do que prefácios, duas viagens no trem, um em cada janela.

Editora Radiadora
Coordenação editorial: Alan Mendonça
Designer gráfico da capa: Enzo Venancio
Impressão e acabamento: Expressão Gráfica

bom dia gratificante