(Os poemas aqui publicados estão registrados na Biblioteca Nacional. Podem ser reproduzidos desde que mencionados a fonte e o autor)
terça-feira, 21 de abril de 2026
migrante
Foto: Candangos, 1957, de Mário Fontenelle.
No começo da terra vermelha e cidade
meu pai passou por aqui
enquanto Juscelino passava em seu jeep.
Adubou concreto
elevou colunas
estendeu asas:
o sonho avesso de pau a pique.
De vastidão por imensidão
de cerrado por sertão
entorpecido de poeira e saudade
um dia subiu no pau de arara que voltava
sob o olhar franzido de Juscelino.
Preferiu
o abraço de minha mãe
o leite ralo das cabras
e a esperança de sol a pino.
- Poema do meu livro em preparação A paisagem e a distância - Escritos sobre Brasília.
A cidade completa hoje 66 anos. Cada operário em construção, tijolo com tijolo num desenho lógico, também faz aniversário.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
abriles
Desenho: Barcos do Mucuripe, Fausto Nilo, 2016
Fortaleza seria logo ali
depois da bica do Ipu
passando o arco de Sobral
chegando nas bananeiras de Caucaia.
Fortaleza seria logo além
da saudade do quintal de Ibiapaba
da lembrança da cancela na fazenda
da memória da casa amarela de oitão.
Fortaleza seria logo aquém
do meu pai que esperava
de minha mãe que guardava
do irmão que me olhava.
O trem chegou à estação João Felipe
e continua nos trilhos de minha vida.
Puxo os vagões da memória até quando?
O poema não acaba nunca.
O que escrevo são incompletudes.
Fortaleza.
Foi lá onde as vogais do interior
encontraram as consoantes das ruas.
Foi lá que o minúsculo das cartilhas
juntou-se aos maiúsculos das pessoas.
A cidade grande fez o menino ficar espichado.
Foi lá em Fortaleza
onde meu sertão virou mar.
- Trechos do meu livro Trem da memória (Editora Radiadora, 2022)
terça-feira, 7 de abril de 2026
dimensonal
Foto: NASA, Missão Artemis II, 2026
Sei que no percurso
a vida é larga
o mundo extenso
e o chão do país
arde quilômetros sob os meus passos
as estrelas
faíscam distantes sobre minha cabeça
e a gravidade
dos fatos
(e dos tatos)
me põe em pé
enquanto a Terra flutua no espaço
(solenemente)
carregando seus animais.
Trecho do meu poema Dimensional, publicado no livro “Poesia provisória (Editora Radiadora, 2019), musicado por Gildomar Marinho.
quarta-feira, 1 de abril de 2026
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