domingo, 4 de fevereiro de 2007

solo

foto Henri Cartier-Bresson

Agora que chorei todas as dores
deste e de outros amores
que rimei nosso caso com circo de horrores
e fiquei olhando sobre o mar
um tempo que se foi...

agora que alguns amigos viajaram
e alguns outros que ficaram, saíram...

agora quando me deparo com o espelho no corredor
pergunto sem esperar resposta:
quando continuo senão agora
que tenho o saldo de algumas horas
e restam algumas roupas no armário
e novos mapas traço no vão da sala?

Quando senão agora
que me resta o descompasso desse tango solitário
estrada afora?

(do livro “Poesia provisória”)

4 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Saudades da tua poesia, saudades dessas palavras afiadas e bem ditas. Ainda quero ter em mãos esse livro.

hábraços

Nirton Venancio disse...

meu caro Eugênio, a mesma saudade de suas palavras sensíveis...
Pretendo neste 2007 publicar um livro, por conta própria, claro. As editoras devolvem os originais mas a poesia resiste.
Vou juntar dois trabalhos num só, "Poesia provisória", que considero meus textos mais inquietos.
Agora, você também nos deve um livro.

Claudio Eugenio Luz disse...

Nirton, sou teimoso. Vou esperar pra não pagar; acaso não dê certo pago pra ver.

hábraços e boa filmagem

Rayanne disse...

Quando, senão nessa hora?
Mas, e agora, seria quando?

Agora que ausente, em mim
abre-se o descompasso e nada vejo
A não ser esse horizonte sem fim.

***Saudosas estrelas***