sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

o carma dele é minha armadura



Há três semanas uma leitora deste blog, a poeta Neuzza Pinhero, de São Paulo, escreveu-me dizendo que tinha lido um poema em Natal, Rio Grande do Norte, intitulado "Carma", de autoria de Plinio Sanderson, conhecido no meio literário da capital potiguar. E ao ler o poema mais de uma vez, Neuzza viu que é o mesmo poema "Armadura", de minha autoria, escrito em 1979, publicado pela primeira vez em outubro de 1981, no jornal literário "O Catolé", de Fortaleza, Ceará, e republicado várias vezes em jornais, tablóides e revistas literárias cearenses e nacionais.

O tal poeta de Natal deve ter lido numa dessas publicações. Nos analógicos anos 80 não havia internet, o meio dos poetas divulgarem seus trabalhos eram os jornais literários e, quando podiam, os livros. Não haveria outra forma dele ter conhecido o meu poema, muito menos ter acesso aos manuscritos originais, guardados numa pasta, a sete chaves numa gaveta de um velho guarda-roupa, em Fortaleza, com todo zelo que um artista deve ter com sua cria.

O dito cujo poeta potiguar gostou muito do poema, e de maneira incorreta de apreciá-lo, passou a recitá-lo em eventos literários, dizendo ser dele, chegando a publicar no jornal Tribuna do Norte, da capital do seu estado.

Diante a surpresa e chateação fiz uma busca minuciosa na internet sobre o "Carma" dele que é minha "Armadura", e  comprovei o que a poeta Neuzza me disse. 

Ao conseguir um contato com Plinio Sanderson, através do site Facebook, suas argumentações não me convenceram: "nos anos 80 eu fazia parte da geração de poetas marginais e recitávamos poemas de vários poetas", "foi publicado pela tribuna do norte, jamais editei-o", "não lembro como me chegou o poema, faz muito tempo, não sabia do autor", "incorporei-o em recitais, nunca, jamais publiquei-o", "o jornal publicou não sei como, não fui eu que enviou". E contradizendo querendo me afagar: "a poesia é muito massa, desde já darei crédito".

O que achei na internet não foi nada disso, caro Plinio!

Nunca me importei que os meus poemas fossem publicados e lidos por quem gosta. A poesia é para ganhar o mundo, para ir de encontro às pessoas. Mas assumir a autoria de uma obra, mudar o título e divulgá-la como sua, quando nenhum pedaço de verso dele pode ser - eu aqui parafraseando Lupicínio Rodrigues, em busca de nervos de aço para engolir uma dessa! Não dá!

Tenho todas as provas da autoria do poema. Recortes de jornais, registro na Biblioteca Nacional e testemunho de pessoas.

Caso entregue a um advogado especialista em direitos autorais.

14 comentários:

Deborah Dornellas disse...

Esses caras precisam ser punidos!!

lupin disse...

mundo pequeno esse, não é amigo?
e eu que trabalho em cima de citações, tenho sempre o cuidado de dividir as minhas obras com seus devidos autores.
ainda que anônimos.
agora com a internet pegando tudo fica mais fácil descobrir essas mutretagens.
processe-o ou não, tens a minha solidariedade.

Mirze Souza disse...

Lamentável!

E agora que perdemos a licença creattive commons, vai piorar!

Demorou, hein Nirton!

Saudades!

Mirze

Nirton Venancio disse...

Caros, não vou deixar isso de lado! Vou até o fim!

Paulo Kauim disse...

a verdade é o nosso estandarte!

Gustavo Dourado disse...

Nirton: você tem todo o meu apoio. Já fizeram isso comigo algumas vezes e gente aqui de Brasília. É um absurdo...Conte comigo...abs

Adeilton Lima disse...

Se quiser o contato de um especialista jurídico no assunto, dê um toque.
Onde leio o poema?
Abraço!
Adeilton

Nirton Venancio disse...

Oi, Adeilton, conversarei com você por telefone.
O poema pode ser lido aqui: http://bit.ly/bVZdOy

Eliane Silvestre disse...

Fica evidente a má fé até por ele ter trocado o título. Você está certo em ir até o fim. Outro dia um amigo que foi casado durante 30 anos, disse que voltou com a mulher porque usou um poema meu dizendo que era seu. Eu disse a ele que não deve fazer isto, mas como foi por uma boa causa e uma situação estanque, desculpei-o.

Aparecida Silvino disse...

que absurdo Nirton. tou passada...

Pedro Carlos Alvares disse...

Égua do cabra fuleirage. nSe na ação foi descaradamente delituoso, na dfesa foi ainda mais. Tem vergonha não rapaz? Nirton cobre explicações do Diário Potiguar também.

Pedro Carlos A|lvares disse...

Encantou-se com a obra de tal modo que não resistindo à tentação, mostrou-se pequeno, ao tentar incorporar-se de poeta maior.

Izaíra Silvino disse...

pena ele não versentir que a grandeza dele estria em, justamente, saber reconhecer a grandeza de um poema e de seu poeta criador!
os caminhos da aprendizagem do bem, às vezes podem levar ao castigo. ser conhecido como mentiroso já é um garn...de castigo!
salve tu, nirton! grande poeta. o artista que não é roubado, ainda é pequeno em sua grandeza! hahahahahahahahahaha!!!!!!!!!
agora, caro amigo, poste este poema por cá!
beijos

Nat disse...

Foi com "Armadura" que terminei de me apaixonar por vc, o Poeta, lá nos idos de 84, creio... quão frustrada esta criatura por não ter sua criatividade e sensibilidade.