segunda-feira, 24 de novembro de 2008

metade

foto David Martins

O que se vê em mim
não é o todo:
escondo gestos.
O que se sabe de mim
(ainda) não é tudo:
escondo datas


Metade que nem eu mesmo sei
mais corrói do que vive e cresce:
e silenciosamente é uma doença
(e não me esquece).

 

Convivo como caça e caçador
dentro de mim:
uma hora me acho
a outra não me aceita
e sou metade do rosto desenhada
a outra metade desfeita.



(do livro “Poesia provisória”)

6 comentários:

Adriano Queiroz disse...

É a melhor poesia que eu li esta semana. Que qualidade.
Parabéns!

Pegou-me de jeito.

Decifrou parte de mim.

Abraços.

LIVRE disse...

Criador e Criatura.....bjs

Mariana disse...

Nirton,

houve aqui uma boa troca.
encontrou uma fã.
adorei seus poemas.

abraço.

Nirton Venancio disse...

Adriano, Karla, Mariana, o poema sempre se completa com a leitura. Fico feliz com vocês na minha poesia!

J.F. de Souza disse...

Metades não-simétricas... É sempre interessante...

=)

J.F. de Souza disse...

Muito bom conhecer! (Não estou seguro se já estive por aqui antes... Mas, pra mim, neste momento, é como se eu estivesse conhecendo este espaço agora!)

Muito bom conhecer!

1[]!