terça-feira, 26 de julho de 2011

metade

 foto Paul Russel

O que se vê em mim
não é o todo:
escondo gestos.
O que se sabe de mim
(ainda) não é tudo:
escondo datas
Metade que nem eu mesmo sei
mais corrói do que vive e cresce:
e silenciosamente é uma doença
(e não me esquece).

Convivo como caça e caçador
dentro de mim:
uma hora me acho
a outra não me aceita
e sou metade do rosto desenhada
a outra metade desfeita

(do livro "Poesia provisória")

4 comentários:

Lara Amaral disse...

Nossa, lindo!

Beijo.

ediney santana disse...

Tema bem desenvolvido, a questão das nossas frações e por menores e a ilusão de quem nos ver e pensa nos ter por completo

ediney santana disse...

Tema bem desenvolvido, a questão das nossas frações e por menores e a ilusão de quem nos ver e pensa nos ter por completo

MIRZE disse...

NILTON!

Que beleza de poema!

Acredito que ninguém veja o "todo".
E as partes que veem são mal interpretadas.

Belíssimo!

Beijos, poeta!

Mirze