segunda-feira, 21 de novembro de 2005

atemporal

foto Michel Touraine


Quando você chega
não é mais noite nem dia
- é alguma estação longe dos calendários.

O tempo e o corpo avançam
mar a dentro da gente
onde a única lembrança
(se saudade fosse)
é a de quando éramos estranhos
em algum porto da cidade.


(do livro “Poesia provisória”)

3 comentários:

douglas D. disse...

numa estação isenta do tempo, os dias passam feito gotas de chuva - tocam nossa pele e nos trazem a tona [nos fazem dois quando somos todos; nos fazem muitos quando estamos sós]

Dioneide Costa disse...

Profundo esse poema!!" quando você chega"....há o mergulho, nós mergulhamos mar adentro..numa velocidade sem alcançe, corpos que pulsam de um horizonte a outro..tem a fase do correr e do esconder e do sentir depois(saudade)...são ciclos
( é a de quando eramos estranhos em algum lugar da cidade".

Claudio Eugenio Luz disse...

A presença de alguém que a gente quer bem faz o tempo desaparecer e a única lembrança que permanece é exatamente quando um estava distante do outro. Definiu com maestria esse espaço sem tempo onde inexiste qualquer outro valor de troca.

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hábraços