quarta-feira, 16 de novembro de 2005

grito

foto Olga Gouveia


Quando esse grito
sair
romper as paredes
descer as escadas
tomar as ruas

e soltar bem alto teu nome

assustarei
a cumplicidade da ausência
e da distância
que contra mim conspiram.

(do livro “Poesia provisória”)

3 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Já nem sei mais como comentar. Acho que só gritando mesmo para que outras pessoas ouçam. O poema é muito forte, profundo e tece uma dimensão desesperadora.

hábraços

p.s - na próxima edição de Literatura, estarei lá com 3 contículos.

Dioneide Costa disse...

Que delicadeza de poema..profundo e denso!
Esse grito é a travessia..o percurso..ele nasce, cresce, amadurece e quando dado se liberta de todas as amarras, cai o casulo e surge a radiante borboleta! Só esse grito pode saciar a sede infinita e sair desse deserto de aridez sem fim..rompendo de vez a " cumplicidade de tua ausência"..
Esse poema revirou meus pensamentos..bendito seja!
abraços

Dona Estultícia disse...

Qdo o grito sair, algo estará irremediavelmente perdido. Um beijo.