terça-feira, 4 de abril de 2006

anônimo

foto Nicholas Davies

Eu nunca deixo pistas dos meus pecados.
Escondo meus delitos
e deixo a condenação para a volta.
Estou muito apressado.

Eu nunca deixo atalho
para me descobrirem:
prefiro o próximo encontro
com o que encontrar próximo aos meus olhos.

Eu nunca deixo traços dos meus planos.
Deixo o resultado de tantos enganos
como pudesse ser também seu
aquilo que foi somente meu.

Não passo procuração para sentimentos
enquanto viajo para lugar desconhecido.

Este poema pode me custar a vida.
Pode me custar os amigos.
E me gostarem os inimigos.

Mas não deixarei rascunho dos meus reversos.

(do livro “Poesia provisória”)

3 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Meu caro Nirton, uma constatação singular e assustadora! Acaso não fosse um poema, daria um excelente conto. Agradou-me muito ler a passagem:
Eu nunca deixo atalho
para me descobrirem:
prefiro o próximo encontro
com o que encontrar próximo aos meus olhos.

hábraços

claudio

Dioneide Costa disse...

essa palavra " nunca"...destacaria..rss.

Até inspirou-me fazer um poema de nome " nunca"....mistérioooo...rs

Aí lembrei
"nesse mundo do sempre..
Só no mundo do nunca existem lápides"..Quintana

Hoje estou mais "nunca" do que nunca..rss

Abraços

Nirton Venancio disse...

eu também ultimamente ando muito "nunca"...