Mostrando postagens com marcador Outros poetas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Outros poetas. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de novembro de 2020

noutras asas


Minha voz chifrim e talvez ainda uma timidez interiorana, impedem-me de ficar à vontade para dizer meus poemas. Por sorte, tenho amigos que fazem leituras, cada um a sua maneira, cada um como sente, cada um como loteasse um pedaço do meu coração onde o poema nasceu. Isso é bom. Do lado de cá, vejo o meu poema sendo do outro. Vejo como não via. Descubro o que dele não sabia. E é sempre um complemento, uma continuação. Por isso, minha poesia é, como diz o título do livro, provisória.

O poema Asas foi lido por tantas pessoas queridas, tantas vozes, tantos jeitos. Acolho todos. Foi também musicado e interpretado pelo cantor
Rubi
, e será gravado em disco.
Neste domingo ainda pandêmico recebo o dizer de
Meire Viana
, poeta, de Fortaleza. Um voo no isolamento. Gratidão, cara amiga. Uma fartura de abraços!
Do livro Poesia provisória, 2019
Editora Radiadora

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

poema vivo

O poeta, escritor e jornalista paulista Ademir Assunção é uma das maiores expressões da literatura brasileira contemporânea. Com 14 livros publicados, entre eles “A voz do ventríloquo, Prêmio Jabuti de 2013, é também parceiro em composições com Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Zeca Baleiro, e suas incursões literárias-musicais revelaram uma singular linguagem multimídia em apresentações com a banda Buena Onda Reggae Club nas noites paulistanas.
Em 2017 tive a honra de somar com ele a mesa de debate com o tema “Canção e Literatura: O Legado de Bob Dylan”, incluída na programação da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, ainda dentro do clima do Nobel de Literatura concedido ao bardo de Minnesota.

Ademir Assunção, isolado entre livros e lives nesse período sombrio de pandemia no ar e pandemônio no país, produz necessárias leituras de poemas seus e de outros poetas. Já somam quase cem edições. É uma respiração que oxigena a esperança a cada noite.
Hoje tive a alegria de ver e ouvir o meu poema O morto, do livro Poesia provisória, publicado pela Editora Radiadora, em 2019.
Gratidão, caro Ademir. Sua leitura com os monges do Maitri Vihar Monastery entoando mantra, diz o poema, dá alma ao poema, continua o poema.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

consolo na praia - encontro e desencontro em agostos

O primeiro poema que li, ainda criança se alfabetizando, foi Mãos dadas, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em O sentimento do mundo, de 1940. Desde então nunca mais larguei as mãos do poeta.

Quando publiquei meu primeiro livro, Roteiro dos pássaros, em 1981, coloquei versos de vários de seus poemas como epígrafes nos capítulos. Um ano depois, consegui o endereço de Drummond com o poeta amigo Marcio Catunda e enviei-lhe um exemplar.
Meses depois, em agosto de 1982, recebo um cartão-cartinha-cartografia afetiva, agradecendo-me o livro, elogiando meus poemas aprendizes, transcrevendo um verso que gostou, deixando-me em estado de pleno êxtase sereno. Outras trocas de correspondências, sempre sobre literatura, continuaram por um tempo. Da rua Conselheiro Lafaiete, em Copacabana, no Rio, para rua Barão de Aracati, na Praia de Iracema, em Fortaleza. E vice-versos em meu coração. Aquele que me inspirou e me guiou na poesia tornou-se meu missivista, e eu devotava-lhe todo o sentimento do mundo.
No começo de agosto de 1987 eu estava no Rio de Janeiro quando soube da morte de Maria Julieta, filha do poeta. Apegadíssimo a ela, a quem chamava de “meu melhor poema”, ao receber a notícia Drummond disse ao médico que o atendia: “Doutor, receite-me um infarto fulminante.”
Meu propósito de conhecê-lo pessoalmente, como estava se encaminhando naquela viagem, foi deixado de lado. O poeta em luto se recolhera, eu mais distante me guardei.
Na noite de 17 de agosto, colocando na mala uns exemplares de seus livros que levei para dedicatórias, ouço Cid Moreira anunciando a morte do poeta, vítima do que pediu ao médico na receita. Drummond foi ao encontro do "melhor poema" doze dias depois, aos 84 anos.
Restou-me, muito tempo passado, à falta de rima e solução, um encontro no banco do calçadão da praia, numa tarde também de agosto. Ficamos de mãos dadas. “O tempo é a minha matéria, o tempo presente", pareceu-me dizer, de costas para o mar, de frente para o mundo, vasto mundo.
Como ele escrevesse para mim num agosto em que nos encontramos em cartas, como eu pedisse a ele num agosto que não nos vimos em sua casa, ousei naquele dia uma colagem de versos de dois poemas, Consolo na praia e Poema da necessidade, que cabe neste agosto sombrio de 2020 em que sobrevivemos isolados em nossas casas.
Vamos, não chores.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.

Mas a vida não se perdeu.
Mas o coração continua.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

eu viajei de trem

Tudo foi tão de repente
diante dos meus olhos
que não houve tempo

para retornar ao corpo do menino
que brincava na calçada.


A memória viaja
- trem inútil -
e não traz as roupas
que se vestia nas tardes de domingo
e a estrada some
deixando o mundo
como um grande circo
na praça da estação.
(...)
Mas o menino sumiu:
foi embora como quem cresce
e silenciosamente
atravessou os trilhos noturnos
da ponte de ferro
sobre o rio poty
onde as águas são barrentas
e as lavadeiras tristes.

...........................................................

- trecho inicial do meu próximo livro, ©Trem da memória - um poema
Textos de apresentação:
Mailson Furtado
Valdi Ferreira Lima
mais do que prefácios, duas viagens no trem, um em cada janela.

Editora Radiadora
Coordenação editorial: Alan Mendonça
Designer gráfico da capa: Enzo Venancio
Impressão e acabamento: Expressão Gráfica

foto ilustrativa desta postagem
Ailine Liefeld

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

poesia escolhida

O poeta goiano-brasiliense Salomão Sousa é um dos maiores conhecedores de literatura. Autor de mais de dez livros, participação em antologias, premiado em diversos concursos nacionais, membro da Associação Nacional de Escritores, ter um livro lido por ele é sempre uma honra.
Imensa gratidão, caro poeta, por destacar meu livro, Poesia provisória, em sua privilegiada lista do ano.
Sua escolha é um prêmio!

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

quinta-feira, 26 de maio de 2016

lua crescente

foto Nirton Venancio

lua crescente
o escuro cresce
a estrela sente

Paulo Leminski


segunda-feira, 28 de março de 2016

parafraseando Drummond

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Nirton! ser gauche na vida.
...

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas essa poesia
botam a gente comovido como o Carlos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

os convidados de Camões


No Sarau a Camões, desta sexta-feira, 10, no Empório Mineiro, Brasília, a presença de dois amigos queridos: o poeta Domingos Pereira Netto e o doutor em Shakespeare, Theófilo Silva, que além de recitar o homenageado bardo português, expôs uma aula sobre um trecho da peça Júlio César, do dramaturgo inglês. 

Domingos, depois de algumas leituras sobre Camões, surpreendeu-me ao falar meu poema Asas, do livro Poesia provisória

Esses encontros revigoram a amizade, alimentam o amor pela literatura, transformam a noite em orvalho de esperança, como dizia Neruda, que hoje faria 111 anos. 

O evento é organizado pelo jornalista e poeta Menezes de Morais. O próximo será dia 24/7, onde estarei como convidado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

respirando poesia

No final do livro "Música", do excelente poeta maranhense Celso Borges, um texto a pretexto de um posfácio biográfico diz que "ele sabe que se não escrever, morre".

Ontem o poeta esteve falando, cantando, respirando seus poemas na Livraria
Sebinho, Brasília, no projeto "Da palavra ao verso", mediado pelo meu amigo, o ator Adeilton Lima. Talento, simpatia, e, sobretudo, simplicidade, envolviam como uma aura aquele moço cinquentão diante das pessoas magnetizadas por seus versos. É disso que sobrevive a alma do poeta: de escrever e do ato que se completa do outro lado em ser lido e ouvido. Se não, morremos. Sucubimos sem mais e com muito menos. Como poeta, sei disso. Respirei um pouco-muito do oxigênio de Celso na sua apresentação, ao ouvir sua poesia, ao me alimentar de seus versos, ao receber sua dedicatória no livro. Há beleza, sim, ao redor do nosso dia a dia. Mas a tristeza é senhora desde que o samba é samba. Por isso, Celso, cantando sua música eu mando essa tristeza embora. Abraçaço!

terça-feira, 10 de julho de 2012

se todos fossem iguais a vocês

Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana e Paulo Mendes Campos, fotografados por Moacir Gomes, na casa de Rubem Braga, Rio de Janeiro, 1966. Eles foram lá para conversar com um hóspede igualmente ilustre, Pablo Neruda.

Olho imantado essa foto como se olha uma imagem sacra.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

écran

ÉCRAN
(dedicado ao Nirton Venancio)
De Rubens Guilherme Pesenti, São Paulo 
 
 
É bom saber do carinho dos amigos que seguimos abraçando o mundo. 
Grato, querido Rubens.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

solar

Fernando Pessoa diz que uma tristeza é como um lago morto dentro de nós, e uma alegria, um dia de sol no nosso espírito. Em versos lá frente o poeta português diz sem fingimentos que "na ausência da amada o sol não brilha."

Esses poetas têm a mania de ficar nos auscultando.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

a mais completa tradução


foto Marcus Claesson

"Ser poeta é tirar de onde não tem e colocar onde não cabe."

(Pinto do Monteiro, repentista paraibano)

sábado, 26 de setembro de 2009

seguro que fue por su boca



Minha amada, minha doce cara metade, estou seguro que foi por sua boca. Encontrei sua roupa junto a minha, seu corpo junto ao meu. Seus dias juntos aos meus. Feliz aniversário!

No se si fue por los vino,
no se si fue por su boca
pero entre tanto tango encontré
su ropa, junto a mi ropa.


No se si fue por Castillo,
Pugliese, Troilo o Darienzo
pero su abrazo en mis manos
era un pincel y la pista un lienzo


Hay los vino, seguro que fueron los vino
(Yo no fuí)


Seguro que fueron…los vino.
No se si fue por los vino,
no se si fue por su aliento
pero entre tanda y tanda encontré
su ombligo, junto a mi cuerpo.


Y así volando en la gloria
Y aterrizando en la ruina
yo fui cayendo y cayendo
en la red de esas medias…asesinas


Hay los vino, seguro que fueron los vino
(Yo no fuí)
Seguro que fueron…los vino.


(Los Vino', composição de M. Di Genova, com Otros Aires)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cântico Negro



Amanheci com "Cântico Negro" na cabeça, um dos mais belos poemas de todos os tempos, escrito pelo português José Régio, em 1925.

Na década de 70, Walmor Chagas fez um espetáculo, "Os portugueses", onde interpreta vários poetas, de Camões à Antônio Botto, passando por Fernando Pessoa, Cesário Verde, Mário Sá-Carneiro, e entre outros igualmente importantes, José Régio. Foi a melhor interpretação de "Cântico Negro" que já vi-ouvi-vivi. Mas não encontrei registro dessa apresentação.

A interpretação de Maria Bethânia, de 1982, é também comovente, tão bela quanto o poema.