Mostrando postagens com marcador A paisagem e a distância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A paisagem e a distância. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

migrante


IV

no começo da terra vermelha e cidade
meu pai passou por aqui
enquanto juscelino passava em seu jeep
adubou concreto
elevou colunas
estendeu asas:
o sonho avesso de pau a pique
de vastidão por imensidão
de cerrado por sertão
entorpecido de poeira e saudade
um dia subiu no pau de arara que voltava
sob o olhar franzido de juscelino
preferiu
o abraço de minha mãe
o leite ralo das cabras
e a esperança de sol a pino
- Poema do meu livro em preparação A paisagem e a distância - escritos sobre Brasília.
Foto ilustrativa para esta postagem: Candangos, 1957, de Mário Fonteneles.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

safira

Daqui
em mim
ouço
o Santuário Dom Bosco:

os
sinos
dobram
azuis.

sábado, 9 de outubro de 2010

sentido

 foto Dick Seltmandoski

  O que é um homem
sem um sonho?
O que é um homem
sem o passarinho?
O que é um homem
sem o horizonte?

assim
o homem é carcaça
ossos montados
no calor da tarde
inútil diante da paisagem.

(do livro "A distância e a paisagem")

segunda-feira, 31 de maio de 2010

sobre viver

 
 Gil Vicente, papel sobre nanquim
 
só escaparemos se conversarmos
se sentarmos
à mesma mesa
e trocarmos olhares
como amigos
ou como sobreviventes.

(do livro "A paisagem e a distância")

terça-feira, 8 de setembro de 2009

longe

 foto Larry Wiese
  
em algum lugar
o mar existe
para algum porto
ser avistado.
(do livro "A paisagem e a distância")

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

aceno

foto David Santies

das entranhas
das terras
do solo materno
do chão do meu pai
me arrebentei numa cidade
com porta e janela
para o mar
onde meus olhos miravam outro continente
como uma lembrança...

(do livro “A paisagem e a distância”)

domingo, 16 de novembro de 2008

sobre viver

Gil Vicente, nanquim sobre papel

só escaparemos se conversarmos
se sentarmos
à mesma mesa
e trocarmos olhares
como amigos
ou como sobreviventes.


(do livro “A paisagem e a distância”)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

a paisagem e a distância (fragmento)

foto Nelson Kon

o que é uma cidade
na história de
um homem?
não se sabe ao certo
como não se explica
por que esse homem respira
e o que alimenta
tantos desejos

a cidade
(no final das contas
e das ruas)
é mistura confusa
de susto e alívio
que abraça e larga
nossa carne
como quem ama e desaparece


apesar dos desenhos
que orientam o presente
a cidade
é o mistério
sobre a cabeça dos homens
que caminham sobre passos
novos a cada desejo
grandes a cada abraço
profundos a cada vontade.

(do livro "A paisagem e a distância")

segunda-feira, 23 de julho de 2007

migrante

foto Lars Ihring

em que acreditar
além da cidade onde queremos morar
e em sua direção
afivelamos nossas malas
(com roupas e retratos)
enchemos nosso peito
(de esperança e saudade)
abrimos nossos olhos
(de horizonte e espanto)?

em que acreditar
nessa (qualquer) cidade
construída de concreto e traços
além da argamassa dos nossos sonhos?

mas se na cidade
cabe a pedra
cortada em mil pedaços sobre a solidão
caberá (muito mais)
a nossa vontade
solta em muitos corações e braços
povoando a paisagem e a distância.

(do livro "Brasília e outras viagens - a paisagem e a distância")

quarta-feira, 13 de junho de 2007

longe

foto Cameron Davidson


Em algum lugar

o mar existe

para algum porto

ser avistado.


(do livro "A paisagem e a distância")

quinta-feira, 10 de maio de 2007

sobre viver

nanquim sobre papel, de Gil Vicente


só escaparemos se conversarmos
se sentarmos
à mesma mesa
e trocarmos olhares
como amigos
ou como sobreviventes.

(do livro “A paisagem e a distância”)

sábado, 12 de agosto de 2006

sobre viver

Gil Vicente, nanquim sobre papel, 2002

só escaparemos se conversarmos
se sentarmos
à mesma mesa
e trocarmos olhares
como amigos
ou sobreviventes.

(do livro “A paisagem e a distância – poemas sobre Brasília e outras viagens”)

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

sobre viver

nanquim sobre papel, Gil Vicente

só escaparemos se conversarmos
se sentarmos à mesma mesa
e trocarmos olhares
como amigos
ou sobreviventes.

(do livro “A distância e a paisagem – Brasília e outras viagens”)

domingo, 13 de novembro de 2005

migrante

foto Lars Ihring

I

em que acreditar
além da cidade onde queremos morar
e em sua direção
afivelamos nossas malas
(com roupas e retratos)
enchemos nosso peito
(de esperança e saudade)
abrimos nossos olhos
(de horizonte e espanto)?

em que acreditar
nessa (qualquer) cidade
construída de concreto e traços
além da argamassa dos nossos sonhos?

mas se na cidade
cabe a pedra
cortada em mil pedaços sobre a solidão
caberá (muito mais)
a nossa vontade
solta em muitos corações e braços
povoando a paisagem e a distância.


II

o que faz uma cidade crescer
sob o sol
sobre o peito
dentro do homem?

o que faz um homem crescer
sob o sol
com dor no peito
dentro da cidade?



III

o que é uma cidade
na história de
um homem?
não se sabe ao certo
como não se explica
por que esse homem respira
e o que alimenta
tantos desejos

a cidade
(no final das contas
e das ruas)
é mistura confusa
de susto e alívio
que abraça e larga
nossa carne
como quem ama e desaparece

apesar dos desenhos
que orientam o presente
a cidade
é o mistério
sobre a cabeça desses animais
que caminham sobre passos
novos a cada desejo
grandes a cada abraço
profundos a cada vontade.

(do livro “A paisagem e a distância – Brasília e outras viagens")

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

longes

foto Bill Peronneau

em algum lugar
o mar existe
para algum porto
ser avistado.
(do livro "A paisagem e a distância")