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sexta-feira, 1 de abril de 2022

canções permanentes de uma poesia provisória


 Não sou um letrista para canções. Sou apenas um poeta aprendiz e escrevo poemas para “dar coerência aos sonhos”, como disse Pirandello. Um trovador meramente provisório, de versos quebrados pelo sol que batia nos Inhamus e salpicou no meio da praia de Fortaleza, onde o meu sertão virou mar.

A poesia tem sua musicalidade. Mas quando um poema, já com seu corpo definido, ganha uma melodia, ele se engrandece, ganha uma alma, uma outra dimensão. O poema se duplica. E se triplica na audição do outro.
A melodia está lá, na extensão de cada verso, no fôlego de cada palavra, na rima de uma emoção. O poeta não se dá conta. A escrita é uma canção embutida. Vem o músico e encontra as notas, porque só a ele cabe o sol que ilumina dó-ré-mi-fá-lá-si.
Depois de Ricardo Augusto, que musicou Ventania, do meu primeiro livro, Roteiro dos pássaros, gravado por Mona Gadelha em 2013 em seu disco Cidade blues rock nas ruas, e desse mesmo livro também Calé Alencar, Bernardo Neto e Berto Mendes colocaram melodias em outros poemas, vários compositores cearenses desenharam músicas nos meus versos.
Do livro Poesia provisória, lançado em 2019 pela Editora Radiadora, os parceiros chegaram, sentando permanentes ao meu lado, numa espécie de sarau particular e cumplicidade poética, lapidando as características sonoras em meus versos: Parahyba de Medeiros, Alan Morais, Zé Rodrigues, Charles Wellington, Gildomar Marinho, Evaristo Filho Freitas, Eugênio Leandro, o goiano-brasiliense Rubi Rubi e agora o 'caba' bom do Cariri Pachelly Jamacaru, que deu ao poema Esconde-esconde, um timbre de blues com pegada que faz do outro lado um riscado melódico com o jeito de Johnny Alf dizer ao piano “meu bemmm...”.
Folheio as páginas de minha poesia provisória do livro e me espanto com quase 20 poemas musicados. É sempre uma saudável perplexidade o encontro com a outra margem do rio.
E saber que Esconde-esconde, uns versos inspirados em brincadeiras à meia-luz e por inteiro numa alcova, quando são permanentes musas quem eternizamos no bem-querer, se tornaram letras de uma canção, é gratificante, muito. Há dias que a vida é esperança.
O vídeo abaixo está no canal no YouTube, do menestrel Pachelli Jamacaru, cheio de outras preciosidades.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

todas as metades

Meu primeiro poema musicado foi Ventania, do livro Roteiro dos pássaros, Editora Lourenço Filho, 1981, por Ricardo Augusto.

Não sou um letrista para canções. Sou apenas um poeta aprendiz e escrevo poemas para “dar coerência aos sonhos”, como disse Pirandello. A poesia tem sua musicalidade. Mas quando um poema, já com seu corpo definido, ganha uma melodia, ele se engrandece, ganha uma alma, uma outra dimensão. O poema se duplica. E se triplica na audição do outro.
A melodia está lá, na extensão de cada verso, no fôlego de cada palavra, na rima de uma emoção. O poeta não se dá conta. A escrita é uma canção embutida. Vem o músico e encontra as notas, porque só a ele cabe o sol que ilumina dó-ré-mi-fá-lá-si.

Depois de Ricardo Augusto, outros compositores cearenses desenharam música em alguns poemas, Bernardo Neto,
Calé Alencar
,
Parahyba de Medeiros
,
Alan Morais
,
Zé Rodrigues
,
Charles Wellington
,
Gildomar Marinho
,
Evaristo Filho Freitas
,
Eugênio Leandro
, o carioca Berto Mendes e o goiano-brasiliense
Rubi
. É sempre uma saudável perplexidade o encontro com a outra margem do rio.
Recentemente Alan Morais e Zé Rodrigues postaram no Spotify os EPs com as parcerias, respectivamente, Lunar e Metade, publicados no meu livro Poesia provisória,
Editora Radiadora
, 2019. No mesmo serviço de streaming está Ventania, gravada por
Mona Gadelha
no disco Cidade blues rock nas ruas, Brazilbizz, 2013, e também no DVD do show apresentado na Caixa Cultural de Fortaleza, 2014.
Abaixo, os links de cada uma. Grato a todos os parceiros pelas metades que somamos.

sábado, 26 de setembro de 2020

asas

Tirem-me a roupa
o chapéu contra o sol
tirem-me até os braços
as pernas
tampem-me os olhos
mas não tirem as asas
que criei pra mim

tirem-me o domingo
a manhã contra a noite
tirem-me até os feriados
os dias santos
rasguem os calendários
mas não tirem o tempo
que criei pra mim
tirem-me os lábios
o beijo contra o gelo
tirem-me até a voz
o delírio
adormeçam o sexo
mas não tirem o coração
que criei pra mim
- poema do meu livro ©Poesia Provisória, publicado pela
Editora Radiadora
, Fortaleza, 2019
- musicado e interpretado por
Rubi
, São Paulo, 2020

terça-feira, 9 de junho de 2020

quarta-feira, 15 de abril de 2020

navegante

música Alan Morais
letra Nirton Venancio


o sul, o sal, o sol de tua pele