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sábado, 22 de agosto de 2026

o afeto

 


O afeto tem o cheiro da pele,

tem a largura do abraço,

tem a extensão do perdão,

tem a mensura da tolerância,

tem a profundidade da compreensão,

tem o tempo da espera.

 

O afeto guarda as fotos na gaveta,

guarda as lembranças das coisas no armário,

guarda a casa para a visita.

 

O afeto educa os filhos,

direciona os amantes,

conserva os amigos.

O afeto sinaliza a volta,

retoma o lugar perdido,

estabiliza o presente.

 

Ao contrário da dor, é o afeto que rima com amor.


- Do livro Poesia Provisória (Editora Radiadora, 2019)

sexta-feira, 17 de julho de 2026

esconde-esconde


 
Você troca tudo de lugar
esconde minhas roupas
para quando no amanhecer eu lhe procurar.
Você troca o sol pelo luar
esconde os meus beijos
para não amanhecer quando a noite acabar.
Você troca os discos de lugar
esconde os meus livros
para quando amanhecer eu me desesperar.
Meu peito alcança o seu olhar.
A casa é pequena, o abraço tão largo:
eu sei onde seu coração está.
.........................................................................
Do meu livro Poesia provisória (Editora Radiadora, 2019)
Musicado por Pachelly Jamacaru, Crato-CE

quarta-feira, 15 de julho de 2026

parceria


 

substantivos


Do livro Poesia provisória (Editora Radiadora, 2019)

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

dimensonal

Foto: NASA, Missão Artemis II, 2026
 

Sei que no percurso
a vida é larga
o mundo extenso
e o chão do país
arde quilômetros sob os meus passos
as estrelas
faíscam distantes sobre minha cabeça
e a gravidade
dos fatos
(e dos tatos)
me põe em pé
enquanto a Terra flutua no espaço
(solenemente)
carregando seus animais.
Trecho do meu poema Dimensional, publicado no livro “Poesia provisória (Editora Radiadora, 2019), musicado por Gildomar Marinho.

terça-feira, 24 de março de 2026

dois poemas


Jornal da ANE, nº 135, março 2026

 

terça-feira, 17 de março de 2026

prazo

Fotocolagem: Nirton Venancio


Impossível
terminar o poema nos próximos dias:
falta uma vírgula aqui
aguarda um sentimento ali,
avista-se uma cidade acolá.
E essas correções,
dores
e risos
costumam demorar
uma vida inteira...

- Do meu livro Poesia provisória, Editora Radiadora, 2019

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

cada instante


Trecho do meu poema Postura, por Zaira Priscila (Sobral, CE), do livro Poesia provisória (2019)

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

de poeta para poeta


Minha Poesia Provisória no afeto permanente da poeta Argentina Castro.
"Último dia 30 do ano, última terça do ano, acompanhada pela poesia de @nirton_venancio e da minha irmã @crisaquariana06 pós almoço fazendo um café com poesia. Respirando. Desacelerando"

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

descobrindo Manoel


 Foto: Juan Esteves


para Manoel de Barros

Invento descobertas
no meio da escuridão.
Manoel diz que nos alimentamos
de escuros.
Quando tudo era nada.
Quando ainda somos nada.
Quando precisamos nos descobrir.
Manoel tem razão,
não:
Manoel tem coração,
sentado lá sob sua luz
em algum escuro do pantanal.
Manoel tem coração,
não:
Manoel tem razão,
inventando palavras
inventando descobertas.
Manoel de tão verdadeiro
é invenção minha
é descoberta minha.
- Do meu livro Poesia provisória, Editora Radiadora, 2019.
E Manoel descobriu meu poema um pouco antes de inventar de embora em 13 de novembro de 2014.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

bússola


  Do meu livro Poesia provisória, 2019, Editora Radiadora

terça-feira, 12 de agosto de 2025

o morto


 I

O morto
tomou destino ignorado:
em que planície nos céus
sibila o seu silêncio?
Com sua armadura desfeita
o que resta é inútil:
não suporta o vento
(que sopra com a chuva)
não será restaurado nos museus
(que espiam a história)
nem se moverá com as lembranças
(que amontoam os retratos).
O morto
tomou destino ignorado.
II
Não tenham medo:
o morto não se levantará
de sua solene posição
deitado como nunca
com seu nariz e seu sapato
em
riste.
III
O morto
(saibam)
não segue no cortejo:
segue um morto
(peso inútil)
que o limite do nosso olho vê.
IV
O morto independe da vontade
dos que lhe jogam areia e flores
dos que lhe dizem orações e calam
dos que choram e esquecem
- o morto
agora
é eterno.
V
Lembramos o tamanho do morto
com suas roupas
com sua voz
com sua dor
e choramos o tamanho que falta
a lágrima que salta
em nós
até quando aprendermos
a não ser somente vivos.
VI
De nada mais sabemos
até que o morto nos mande notícias
e que seu vulto passe ao longe
como passam os viajantes
(depois)
do entardecer.
VII
Maior é o morto
na viagem
que ele continua
(em que planície nos céus?)
......................................................................................
Publicado no livro "Poesia provisória", Editora Radiadora, 2019

domingo, 29 de junho de 2025

alguma coisa



Do meu livro Poesia provisória (Editora Radiadora, 2019).
Aos amigos Aíla Sampaio e Elias N Sampaio.