(Os poemas aqui publicados estão registrados na Biblioteca Nacional. Podem ser reproduzidos desde que mencionados a fonte e o autor)
quarta-feira, 16 de maio de 2018
domingo, 13 de maio de 2018
terça-feira, 8 de maio de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
doce poesia
Doce Poesia Doce é um projeto da Edital Arte Todo Dia – Ano III, Fundação Gregório de Mattos, prefeitura de Salvador.
De 17 de setembro a 8 de outubro 10 mil poemas impressos embalando balas doces serão distribuídos gratuitamente em praças, escolas, hospitais e postos de atendimento na capital baiana.
Foram 400 poetas selecionados do Brasil e exterior, com 20 cópias de cada um dos poemas escolhidos, totalizando as 10.000 poesias doces para distribuição.
Os poemas estão também postados nas páginas:
domingo, 3 de setembro de 2017
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
sol de primavera
foto Luis Carlos Bill
Em Crateús, nas brenhas secas dos Inhamus cearense, primavera era uma estação de trem distante, muito distante, tão distante que nem existia. Que diria outono, que nem aparecia.
As duas estações de outras cidades a léguas tiranas do sertão, só marcavam nas folhinhas do calendário na parede... e meus olhos retirantes imaginavam o trem nas trilhas.
Na via férrea que cortava o meu fim de mundo, o trem só trazia vagões com a fumaça do verão, e do último, bem lá atrás, jorravam as águas do inverno que transbordavam meu açude no quintal, subiam o verde da roça, e banhavam meu sorriso na bica na calçada.
Abaixo da linha do equador do meu peito, a primavera sempre existiu. Seguida do inverno, a estação reflorescia os ladrilhos ainda molhados. Assim como o outono no coração do menino... e as folhas que caiam das árvores onde brincava de esconde-esconde. O tempo sempre me encontrava.
sábado, 26 de agosto de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
metade
O que se vê em mim
não é o todo:
escondo gestos.
O que se sabe de mim
(ainda) não é tudo:
escondo datas
Metade que nem eu mesmo sei
mais corrói do que vive e cresce:
e silenciosamente é uma doença
(e não me esquece).
Convivo como caça e caçador
dentro de mim:
uma hora me acho
a outra não me aceita
e sou metade do rosto desenhada
a outra metade desfeita.
sábado, 6 de maio de 2017
quinta-feira, 16 de março de 2017
infância
A infância me levou ao cinema numa tarde no interior.
O cinema me levou a um tempo próximo e distante da fantasia, da idealização inquebrantável que as crianças fazem de um mundo perfeito.
Crescer tem o inconveniente do mundo ficar muito palpável. O dia é irreversível. A esperança necessita de muito esforço.
O cinema me levou à infância numa tarde do interior. Não encontrei o caminho de volta para casa.
segunda-feira, 13 de março de 2017
sexta-feira, 10 de março de 2017
a quem interessar possa
À época, a tiragem foi de 1000 exemplares. Não sei quantos vendidos na noite de lançamento, não me lembro quantos ficaram comigo e doei todos para amigos, não tenho ideia de quantos deixei nas livrarias em consignação, uma quantidade ficou com a Fundação Lourenço Filho, em Fortaleza, que patrocinou a publicação como prêmio do concurso... e um exemplar guardo como troféu na minha estante real.
Agora o site Estante Virtual tem um único exemplar disponível a preço de raridade.
A poesia é gratificante por isso, e expressa exatamente aquilo que não permito que me empreendam: o recolhimento do meu voo, a desfaçatez de dizerem que o Ícaro em que acredito não pode seguir viagem.
domingo, 5 de março de 2017
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
parafraseando Drummond
Quando nasci, um anjo invocado
desses que vivem nos sertões
disse: Vai, Nirton! ser artista na vida.
...
Eu não devia te dizer
mas esse calor
mas essa poesia
botam a gente desprovido como sempre!
segunda-feira, 25 de julho de 2016
escrever e amanhecer
Escrever é se expor muito. Escrever é se expor até quando se esconde, quando se disfarçam em sinônimos feitos e defeitos. Escrever é um perigo. Escrever é uma traição. Escrever é ficar nu em plena praça. Escrever é se encontrar e se perder na mesma via de contramão. Escrever é desenhar símbolos que o cérebro comanda. Escrever é um ato neurológico, mesmo quando levado pela correnteza do coração. Escrever é auscultar sentimentos. Escrever é morrer um pouco e amanhecer na leitura.
domingo, 10 de julho de 2016
ganhando a vida em um domingo
foto Rosângela Fialho
Caminhando certa vez em um
domingo chuvoso pela deserta W3 Sul, em Brasília, encontro-me com o poeta
Arthur Rimbaud... ele me parou com aquele olhar de absinto e me disse os
primeiros versos do poema Canção da mais alta torre, soando lentamente
como uma advertência: "por delicadeza / perdi minha vida...". E saiu.
Quando me virei, vi que ainda
mancava de seu problema no joelho direito. Sumiu por uma daquelas entradas de
uma banca de jornal no meio da quadra.
Ainda extasiado com esse
encontro, volto a andar e logo me deparo com Che Guevara acendendo o charuto
sob a chuva... Olhou-me com aquele olhar da foto de Alberto Korda, soltou uma
baforada no meu rosto, que achei ótimo, e disse: "o poeta ali tem razão,
camarada... mas é preciso endurecer, sem perder a ternura...", e continuou
andando. Viro-me e alguns passos depois ele para, me olha fixamente, e
completa, erguendo o charuto: "jamais!".
Ganhei o domingo. Eu que andava
como no filme de Jean-Claude Brialy, Os indiscretos pingos de chuva, me vi Gene
Kelly em Cantando na chuva.
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