segunda-feira, 13 de abril de 2026

abriles

 


Desenho: Barcos do Mucuripe, Fausto Nilo, 2016


 Fortaleza seria logo ali
depois da bica do Ipu
passando o arco de Sobral
chegando nas bananeiras de Caucaia.
Fortaleza seria logo além
da saudade do quintal de Ibiapaba
da lembrança da cancela na fazenda
da memória da casa amarela de oitão.
Fortaleza seria logo aquém
do meu pai que esperava
de minha mãe que guardava
do irmão que me olhava.
O trem chegou à estação João Felipe
e continua nos trilhos de minha vida.
Puxo os vagões da memória até quando?
O poema não acaba nunca.
O que escrevo são incompletudes.
Fortaleza.
Foi lá onde as vogais do interior
encontraram as consoantes das ruas.
Foi lá que o minúsculo das cartilhas
juntou-se aos maiúsculos das pessoas.
A cidade grande fez o menino ficar espichado.
Foi lá em Fortaleza
onde meu sertão virou mar.
- Trechos do meu livro Trem da memória (Editora Radiadora, 2022)

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